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Ideias e Factos: Reclusos a mais

Agostinho Dias - 16/06/2016 - 9:36

Havia nas prisões portuguesas, no fim do ano passado, 14.222 reclusos, ou seja, mais 2.609, do quem em 2010. Este aumento de 22,5%, acentuou-se sobretudo em 2015. Destes detidos 13.360 são do sexo masculino, e 862 são mulheres. Quase metade, 48,6% está entre os 25 e 39 anos de idade, e 37,3% entre os 40 e os 59 anos. Houve uma pequena redução dos reclusos por crimes relativos a estupefacientes, contra o património e contra pessoas. Houve um aumento dos que cometeram crimes contra a vida em sociedade, e “outros crimes”. Estes dados revelam uma maior atividade da nossa justiça e das polícias, na perseguição a criminosos com operações que frequentemente ficaram como espetaculares e imprevistas, não poupando sequer os ex-governantes, ou os bancários célebres. Por outro lado, na predominância de reclusos com menos de 40 anos, penso que não e alheio o desemprego que grassa nesta faixa etária (quase 30%). Os crimes económicos de fuga ao fisco, fuga de capitais ou suborno ativo e passivo, são dos que têm dado mais nas vistas. Também a violência doméstica e os assaltos violentos, ocupam um lugar de evidência, bem como os crimes relacionados com a condução de veículos.
Tudo isto são indícios evidentes de uma sociedade em crise, onde faltam valores não morais, mas também materiais e ocupacionais, que criam a ocasião propícia para os cidadãos praticarem os mais diversos crimes.
Interrogo-me ainda sobre o nosso sistema prisional. Tantos reclusos, fazem com que as cadeias estejam superlotadas, e com a falta de pessoal de serviço, facilmente se tornam escolas do crime, em vez de escolas de reabilitação dos criminosos, que deveriam ser. Fala-se agora em substituir o presídio pela prisão domiciliária com pulseira eletrónica;  seria um modo de resolver a superlotação das cadeias. Temo mesmo que se chegue por vezes a situações desumanas dentro das nossas prisões…

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