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Retratos: Espírito templário

JC - 01/06/2016 - 13:50

Jeremias, presidente da Brigada do Reumático, já tirou do guarda-fato o manto templário, para que a visita aos Dias Medievais do Burgo se faça de forma adequada. -"É assim e este ano até vou participar na Ceia de Outros Tempos", referia enquanto passeava pela zona antiga da Vila, para recordar outros tempos. -"Isto agora está tudo diferente. Mais preservado, apesar de haver muito boa gente que só sabe é grafitar e estragar o que aqui foi colocado", acrescentou.

-"É bem verdade", retorquiu Godofredo que acompanhou Jeremias na viagem pedonal pelas ruas do castelo.

-"Ali no miradouro do Burgo, depois da requalificação, o espaço virtual ficou logo danificado, enquanto que as paredes da igreja receberam pinturas de rua que ofendem quem visita o espaço", disse Godofredo, para quem se os cavaleiros templários por ali andassem não havia quem ousasse estragar o bem comum. -"Só se perdiam as que caíam no chão", acrescentou.

-"Agora as coisas são diferentes. Os prédios aparecem cheios de riscos e asneiras, e se algum morador apanha os ditos com as latas de spray na mão, ainda é acusado de violência e mais não sei o quê, porque a arte é assim ou é assado, e porque a liberdade o permite", disse Jeremias, que durante alguns minutos teve que explicar ao seu neto mais novo o significado de uma determinada palavra cuja verbalização não pode ser apresentada nesta crónica.

-"Essa é que é verdade", prosseguiu Godofredo, ainda afetado com os riscos e desenhos que fizeram no túnel do seu prédio. -"Se eu os lá apanho, logo vão ver o que é a liberdade. Aí não há espírito templário que lhes valha!", sublinhou.

-"A solução", diz Jeremias, "é estarmos atentos e agirmos. Se cada um de nós defender o que é de todos será mais fácil".

A conversa entre os dois elementos da Brigada do Reumático terminou nas Dokas, numa esplanada, a ouvir o ladrar dos agentes caninos, cujos donos prendem à mesa ou nos guarda sóis existentes, já depois do passeio que de higiénico teve pouco.

 -"O melhor é irmos embora, que hoje só nos dá para dizer mal disto e daquilo", sugeriu Jeremias, que depressa se pôs a andar em direção à sua casa na esperança do vizinho de cima não ter a música a rasgar, coisa habitual nos domingos à tarde...

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