O Burgo esteve durante três dias com os azeites. Líder, presidente dos burguenses, e Engenheiro, ministro das coisas agrícolas, inauguraram o certame como manda a lei, com muitos batoques no sino da entrada. -”E não é que o senhor ministro tem queda para a música”, disse Amélinha, que àquela hora da tarde já tinha degustado um gelado de feijão pequeno, na tentativa de se refrescar do calor que se fazia sentir.
-”É bem verdade!”, retorquiu Zulmirinha, que com os seus 75 anos nascidos e criados no Burgo, ficou entusiasmada com a boa disposição do dito governante. -”Ele não perde uma, e não diz que não a ninguém. Prova o que tem que provar e ouve sem pressas”, acrescentou Anastácia, que com Amélinha e Zulmirinha formam o trio «odmira-te» da Brigada do Reumático.
-”Dizem sempre o que pensam”, explica Jeremias, o presidente da BR, que já por mais que uma vez teve que ouvir discursos das três senhoras sobre alguns temas que afetam a comunidade reumática do Burgo.
-”Então e qual é a análise que fazem à feira?”, perguntou Godofredo, secretário geral BR, enquanto provava um queijinho de ovelha daqueles produzidos no Condado.
-”É boa. Pelo menos a avaliar pelas vistas”, responderam em uníssono, como que a prepararem-se para o concerto dessa noite, com dois dos melhores «cantautores» lusitanos.
A visita ministerial prosseguia em tom de boa disposição. Engenheiro não se fez de rogado e degustou azeite, enchidos, mel com laranja, os ditos gelados de feijão pequeno, queijinhos do Burgo e muitas outras iguarias, que aquela hora da tarde um lanchinho caía que nem ginjas. -”Aquilo que retemos é a calma e a atenção que o ministro deu a quem o interpelava. Sem pressas e sempre disponível”, justificaram Zulmirinha e as amigas.
-”São muitos anos a virar frangos”, ironizou Jeremias, para quem Engenheiro deve ser dos governantes que mais feiras do setor agrícola inaugurou na Nação Lusitana. -”Até deu gosto”, concluiu o presidente da Brigada do Reumático...