Jeremias, presidente da Brigada do Reumático, viu-se grego para marcar um quarto num dos hotéis do Burgo. -“A minha prima Josefina não quis dar trabalho e pediu-me para marcar um quarto de casal para umas pequenas férias no Condado. O problema é que tiveram que ir para a Villa Funda, pois no Burgo não havia disponibilidade de uma cama para tantos dias seguidos”, justificava o líder da BR, que continua a não compreender o que se passa na Villa.
-“Como é possível nas últimas décadas não ter aberto nenhuma nova unidade hoteleira no Burgo?”, questionou Jeremias, visivelmente irritado e triste com a situação por que a sua prima Josefina está a viver. -“Acabou por vir ao Burgo apenas um dia, pois optou por ir à Serra Estrelada e a outras localidades do outro lado da Tardunha”, acrescentou.
-“E quando há uma luz ao fundo do túnel enviam-na para Tribunal!”, reforçou Godofredo, secretário-geral da BR, que em devido tempo alertou as entidades do Condado para o facto.
-Quando se realizam atividades no Burgo, são os condados da vizinhança que ganham, pois é lá que estão os quartos”, retorquiu Evaristo, presidente do Conselho Fiscal da Brigada, dando como o exemplo o Rali do Burgo.
-“Mas também, verdade seja dita, quatro anos para colocar um terreno à venda!”, criticou Adalberto, antigo membro do Roseiral, agora adepto do Infinito, que se juntou aos membros da Brigada no habitual café da manhã.
-“É por isso que não vamos a lado nenhum e que a minha prima Josefina teve que ir dormir a outro lado”, disse Jeremias.
-“Razão tem o Godofredo, quando enunciou a teoria da improvável dormida no Burgo”, frisou Evaristo.
-“Como assim?”, perguntou Adalberto.
-“Está tudo escrito no Tratado da Caminha, publicado há alguns anos atrás. Nessa obra é explicada a dificuldade que os investidores privados têm em construir unidades hoteleiras no Burgo”, respondeu Evaristo.
-“Pois… quando percebem onde se podem vir a deitar, vão embora para não terem insónias. É que por vezes não basta a caminha ser boa, também é preciso ver se o telefone não traz mensagens desencorajadoras…”, concluiu Jeremias.