- “Só no dia de São Nunca à Tarde”, referia Jeremias, presidente da Brigada do Reumático, enquanto olhava para a calendarização da construção da Barragem do Aflito, cronograma inexistente, cuja cadência é pautada por avanços e recuos noticiados na comunicação social.
- “Aqui na área metropolitana do Burgo já estamos habituados a muita conversa”, acrescentava Godofredo, secretário geral da BR que há cerca de 10 anos acreditou na palavra do governo lusitano.
- “Estava tudo pronto para que a Barragem do Aflito fosse uma realidade. Mas depois o Laranjal disse que os que nos trouxeram o ‘covídeo’ podiam suspender a sua construção.
- “Pois… e agora é a ministra das agrícolas do Roseiral que vem com a conversa que não haverá Barragem no centro do mundo”, adiantou Evaristo, presidente do Conselho Fiscal.
- “Diz que no Burgo há água a mais”, disse Jeremias.
- “ Provavelmente estava a referir-se a outras coisas, que não o excesso de água…”, tentou explicar Godofredo.
- “Outras coisas?!”, exclamou Evaristo.
- “Sim… tipo o carnaval e assim…”, retorquiu Godofredo.
- “... é como eu disse…, só no dia de São Nunca à tarde”, concluiu Jeremias.
JC