Zulmirinha, 80 anos, ficou sem saber o que fazer quando procurou a Casa Mãe do Condado para tentar falar com o presidente do Burgo. –“Vejam lá que quiseram saber a minha vida toda. Para começar, pediram-me logo o Cartão do Cidadão para conhecerem e apontarem os dados. De seguida quiseram saber o meu número. E eu até disse à menina: olhe, vivo na rua do Mercadinho, no castelo, porta número 312”, referia na esplanada do Beiral, paredes meias com a Sé da Villa.
-“Então e a proteção de dados?”, perguntou Josefina, 79 anos vividos no Burgo.
-“Eu disse-lhe para guardar bem esses dados, que a minha vida não é fácil e ninguém tem que saber dela. Tranquilizou-me, garantiu-me que iam para o computador e que o dito não sairia dali. Mas depois pediu-me o número de telemóvel”, prosseguiu Zulmirinha que, ainda assim, não se revê nas exigências adotadas pelo Condado, quando se quer falar com o presidente.
-“É o procedimento”, justificou a menina, simpática, que perante as indicações superiores não tem outra solução do que preencher o FOBIFAP – Formulário Oficial dos Burguenses Interessados em Falar com o Presidente.
-“Assim fica tudo registado e não há desculpas para a falta ou atraso nas respostas”, disse Josefina, que de imediato telefonou ao presidente da Brigada do Reumático, seu primo afastado. -“Jeremias, quando fores à Casa Mãe do Condado não te esqueças de levar o Cartão do Cidadão para o preenchimento do FOBIFAP”, disse, explicando de imediato a medida adotada.
-“Agora percebo porque é que as coisas demoram e têm o seu tempo. Se calhar há gente que se esquece do dito e depois os projetos e as obras vão ultrapassando as datas, obrigando a revisões orçamentais”, sublinhou Jeremias, enquanto lamentava o facto de nem todas as pessoas trazerem consigo o Cartão do Cidadão. -“E depois ainda dizem que o problema está nos serviços...”, concluiu.