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Retratos: Páscoa

JC - 06/04/2023 - 10:09

Jeremias, presidente da Brigada do Reumático, está preocupado com o aumento dos preços nas lojas do Burgo e da Nação Lusitana. - “Isto está pela hora da morte. Este ano já disse aos meus netos, não há dinheiro para ir aos festivais de música, nem aqueles que se fazem noutras áreas metropolitanas, nem o que está agendado para Villa. Os tempos não estão para brincadeiras. Um quilograma de grelos custa mais que quatro eres. Ao preço a que os ditos chegaram!”, disse, enquanto olhava para a fatura das compras.
- “E isso foi na loja lá do bairro, porque se fosses ao hipermercado havias de ver. Um nabo custou-me um ere e uma dourada passou dos oito!”, retorquiu Godofredo, secretário-geral da BR, que depressa recordou os tempos dos seus pais em que uma sardinha fingia tapar a fome a quatro pessoas.
- “É que a vida nem está boa para a açorda! Ao preço a que está o pão...”, insistiu Evaristo, o presidente do Conselho Fiscal, que por via das dúvidas optou por comprar farinha e amassar o dito em casa, com água da fonte, que até a que sai das torneiras está cara.
- “O problema não é o custo da água. São as taxas e taxinhas que nos obrigam a pagar, mesmo quando temos as casas fechadas e só lá vamos nas férias”, acrescentou Godofredo.
- “É preciso ter cuidado com as casas que não são usadas, pois ainda as alugam compulsivamente. E olha que nem querem saber se estás a pagar empréstimo ao banco ou não...”, adiantou Jeremias.
- “Já nem o que é nosso é nosso. Mas mesmo que te retirem a casa vais ter que a continuar a pagar, que a dívida é tua. O banco não tem nada a ver com essa situação. E o pai Estado brinca com as casinhas dos outros, quando deveria dar o exemplo”, concluiu Godofredo, enquanto se preparava para ir comprar o frango para a Páscoa, que o cabrito nem se lhe pode chegar...

JC

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