Jeremias, presidente da Brigada do Reumático, decidiu votar antecipadamente. - “Já dizia a minha avó: não deixes para amanhã o que podes fazer hoje”, justificava o líder da BR, no recuperado lanche das 5, que noutros tempos aconchegava a alma na Tasca do Foguetão.
- “Que saudades já tinha de umas iscas com molho e de umas postas de bacalhau frito. Estas estão tão boas como as que degustávamos na antiga de Devesa ou na Tasca do Futebol, também conhecida pelas suas sandes de atum”, referia Godofredo, secretário-geral da Brigada do Reumático e antigo consultor gastronómico das ditas tabernas burguenses.
O lanche do núcleo duro da BR decorria na nova taberna do Josué da Tasca, onde os carapaus em molho de escabeche deixaram a etiqueta de lado. - “Come-se tudo, até as espinhas!”, realçou Jeremias, enquanto fitava a salada de orelha de porco.
- “E o queijo picante?!”, exclamou Tonico, que com os seus 80 anos sabe bem a importância dos petiscos em momentos de elevada importância para a Nação Lusitana.
- “A verdade é que é difícil eleger o melhor petisco”, disse Evaristo, presidente do Conselho Fiscal da BR, que por uma questão de justiça decidiu avançar para uma análise sensorial e política, num exercício livre e de cidadania, com o propósito de no próximo domingo votar em consciência.
- “Não há nada como clareza nas ideias e, à falta delas, sabermos o que representa cada um dos candidatos e aquilo que eles mais gostam. Como diz o narrador, mostra-me o que comes e o que bebes e dir-te-ei em quem deves votar”, adiantou Jeremias, enquanto pedia uma chouriça assada em aguardente, no porquinho de barro, um dos 14 petiscos associados aos candidatos presidenciais.
- “Agora há que refletir, para que o voto não entre enganado na urna”, concluiu Godofredo, ciente da correspondência direta entre as iguarias do prato e as fotografias dos presidenciáveis…