Jeremias, presidente da Brigada do Reumático, nem quer acreditar que os jornais publicados na Nação Lusitana vão deixar de ser vendidos no interior do país. - “Estes neoliberalismos que nos estão a querer impingir exigem uma resposta firme do povo. Estão a dar-nos cabo de tudo, com falinhas mansas e com palmadinhas nas costas”, disse o líder da BR, durante o passeio inaugural do mercado de Natal do Burgo, que além de tasquinhas e artesanato, tem um metro de superfície e uma exposição de pais natais.
- “O problema é que nos faltam vozes e lideranças fortes, daquelas que quando falam fazem estremecer a Kapital. E quando é assim, o povo tem que acordar. Agora vamos ficar sem notícias nacionais na Área Metropolitana do Burgo. Mas isso é só mais uma das coisas que nos querem acabar!”, criticou Godofredo, secretário-geral da Brigada, enquanto degustava um vinho quente para aquecer o corpo e alma.
- “Então mas querem fechar mais alguma coisa?”, perguntou, indignada Licas, enfermeira da velha guarda, já aposentada, mas com lugar cativo nos corpos sociais da BR.
- “Dizem que nos querem fechar as urgências hospitalares, assim como a maternidade e outros serviços médicos. E isto passa-se perante a serenidade de todos. Ninguém contesta! Acham normal! Pois eu não acho! Somos a capital da Área Metropolitana e aqui não há lugar para partidarites, nem para mentiras como a que o Laranjal nos disse sobre o arranque da Estrada do 31, quando até a retiraram do orçamento da Nação!”, contestou Jeremias.
A conversa dos membros da Brigada do Reumático prosseguia agora na fila para a compra de filhós na tasquinha do costume, com Gervásio, realizador de cinema e de documentários nas horas vagas, a mostrar disponibilidade para fazer um trabalho sobre o tema. - “Até já tenho título para a curta-metragem: será «O silêncio dos incompetentes» numa clara alusão à determinação de quem tem responsabilidades mas prefere a mudez à palavra de protesto”, concluiu Gervásio, enquanto magicava os diálogos e as falas do filme, que se não fosse sério daria para rir...