Jeremias, presidente vitalício da Brigada do Reumático, recebeu uma proposta por parte da secção de principiantes da BR, para a realização de cursos conducentes à carta de trotinete. -“Argumentam que aos 60 anos ainda estão bons para as curvas”, disse o líder da associação mais democrática do Burgo.
-“E é verdade. Até nós deveríamos tirar essa carta. Andar de trotinete merece atenção e de preferência a circulação deve ser feita nas ciclovias da Villa”, acrescentou Godofredo, o eterno secretário-geral, que aos 80 anos ainda conduz moto, automóvel e bicicleta.
-“No nosso tempo as ditas eram empurradas com o pé que tínhamos mais à mão. Agora é tudo elétrico. São os eletrodomésticos, são os carros, as batedeiras de bolos, as bicicletas e as trotinetes”, prosseguiu Evaristo, presidente do Conselho Fiscal da BR, para quem “só falta que os carrinhos de rolamentos também sejam movidos a energia elétrica”.
-“É por isso é que agora querem instalar parques solares em milhares de hectares agrícolas”, argumentou Tecas, desempregado profissional, que manteve acampamento na Kapital na esperança de lhe ser atribuída uma casa para viver e alugar quartos.
A conversa, no café Beiral, foi tida ao final da tarde, entre uns carapaus fritos e um branco traçado para não fazer azia. -“Essa é boa, então agora a culpa dos mega parques ao sol é das trotinetes! Oh Tecas, a acampada fez-te mal!”, respondeu, Etelviro, entusiasta dos produtos biológicos e membro da Associação de Acampistas do Burgo.
-“Não será bem assim”, começou por esclarecer Jeremias. -“Mas essa é uma questão que vai ser explicada nas aulas teóricas do curso conducente à habilitação para conduzir as ditas”, acrescentou.
-“Então mas o curso não é só prático?”, perguntou Tecas.
-“Há uma parte teórica, onde também se vai explicar o porquê das ciclovias ainda não estarem concluídas”, respondeu Jeremias.
-“São as chamadas obras terminadas mas inacabadas”, concluiu Godofredo, expectaste com a justificação que será dada no curso