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O SNS visto por dentro

Paula Custódio Reis - 04/05/2023 - 9:21

Os Centros de Responsabilidade Integrada (CRI) «são estruturas orgânicas de gestão intermédia, dependentes dos conselhos de administração das entidades públicas empresariais do SNS, que têm autonomia funcional e que estabelecem um compromisso de desempenho assistencial e económico-financeiro, negociado para um período de três anos (…) São compostos por profissionais da entidade do SNS que, preferencialmente, devem exercer toda a sua atividade na instituição. Aderem voluntariamente a um modelo de organização orientado por objetivos negociados, que reconhece e premeia o desempenho individual e coletivo. (…) Contribuem para o cumprimento integral dos Tempos Máximos de Resposta Garantidos legislados (Portaria n.º 153/2017, de 4 de maio) e para assegurar uma resposta equitativa e atempada no SNS, no âmbito do SIGA – Sistema Integrado de Gestão do Acesso (Portaria n.º 147/2017, de 27 de abril), através do qual se monitoriza toda a cadeia de prestação de cuidados de saúde aos utentes, desde a identificação do problema de saúde até à sua resolução.»
Quis o acaso que, devido a uma fratura no tornozelo, ficasse a conhecer o funcionamento do CRI Traumatologia do Hospital de S. José em Lisboa.
Tendo dado entrada no serviço de urgência, confirmada uma fratura, foi-me agendada uma cirurgia para cinco dias depois. Fiquei internada numa enfermaria com três pessoas, com histórias de vida muito diferentes da minha, mas paradigmáticas dos moradores de Lisboa na atualidade: uma senhora reformada moradora na Rua do Sol ao Rato, um Estudante do IADE de nacionalidade angolana e um senhor, cozinheiro de profissão, natural de Cabo Verde e morador num quarto andar de um apartamento partilhado em Arroios.
O Doutor Varandas Fernandes, diretor daquela unidade, que a gere em permanência e proximidade, respondeu pacientemente e com entusiasmo a todas as perguntas que lhe fiz relativamente à ideia por detrás deste tipo de unidade: «Não fechamos nunca, recebemos casos de outras unidades que não conseguem dar resposta, premiamos os profissionais. Aceitamos casos do Algarve a Abrantes e já deslocamos equipas de cirurgia a outras unidades de saúde para fazer intervenções em dias previamente acordados.»
Numa unidade sem paragens, porque o grau de dependência dos seus doentes vai às funções básicas, auxiliares, enfermeiros, médicos, fisioterapeutas, nutricionistas e assistentes sociais atuam diligentemente com foco no doente.
Esta também foi a perspetiva que nos deu a Dra. Ana Infante, Presidente do Conselho de Administração do Hospital Distrital de Santarém, aquando da visita àquela unidade, no âmbito de Jornadas Parlamentares no mês passado. A sua visão é a de que a implementação de uma Unidade Local de Saúde naquela zona do País permite a construção de um sistema que permite um melhor atendimento e acompanhamento dos utentes, porque trabalha em rede em cuidados preventivos e curativos.
Chegada a casa, atendida pela minha enfermeira de família no Centro de Saúde de S. Tiago, não só tive um cuidado e acompanhamento próximo e eficiente, como me foi lembrado que um dos meus filhos está em idade de vacinas…
A capilaridade das unidades do SNS e a experiência e qualidade formativa dos seus profissionais fazem deste serviço público aquele em que todos, enquanto sociedade mais temos de investir em conhecimento, boas práticas de gestão e inovação, com foco no utente, com carreiras motivadoras para aqueles que o constituem e com uma gestão eficiente em termos financeiros.
Tendo por base esta descrição, parece-me que a criação de unidades CRI no Distrito de Castelo Branco não só é desejável como premente, baseada em áreas de excelência em que cada unidade hospitalar sempre foi reconhecida. O tratamento especializado de doentes cativa profissionais de saúde e garante eficácia e eficiência aos doentes.
 Na falta da sua criação, prevê-se que muitas das nossas especialidades possam vir a ficar como meras unidades de despistagem e encaminhamento para outras unidades noutras regiões do País.
O SNS foi a melhor e mais humana ideia do pós 25 de Abril. Devemos-lhe o que temos de mais precioso.
Saibamos estar à sua altura.
• deputada eleita pelo PS

 

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