Este site utiliza cookies. Ao continuar a navegar no nosso website está a consentir a utilização de cookies. Saiba mais

Santa Águeda: Transformamos recursos em lixo

Margarida Duque-Vieira - 09/10/2025 - 9:00

Manuel Costa Silva, Ministro da Economia e do Mar do último Governo chefiado por António Costa. Palavras proferidas no “Lançamento da Agenda do Turismo para o Interior,” realizado em 9 de Maio de 2023 no Teatro Municipal da Covilhã.

A frase proferida pelo Sr, ex-Ministro podia perfeitamente inspirar-se na ideia peregrina de ser criado um regadio na Barragem de Santa Águeda.

Depois de anos em que os Albicastrenses para ter água em casa se tinham de levantar às 4 ou 5 da manhã para encher potes ou banheiras e pôr as máquinas de lavar a funcionar e, finalmente se construiu uma Barragem expressamente para abastecimento público, estranha-se a hipótese de acrescentar exponencialmente lixo ao que, infelizmente, já existe.

A criação de regadios é importante pelo que representa de armazenamento de água conservada para quando é necessária mas, ao transformar-se em factor de sistemas de escravatura, de plantações intensivas que destroem os solos e contribuem para as alterações climáticas, de apropriação da água por alguns negando-a a outros normalmente os mais pequenos como, entre outras, notícias referiram Odemira e outros locais.

Painéis fotovoltaicos são um salto tecnológico importante na obtenção de energia. Certo! Mas que dizer ao verem-se extensos terrenos produtivos serem destruídos transformando a paisagem numa extensa mancha negra?

O lítio, uma potencial importante riqueza para o país torna-se lixo quando promovida contra as populações e os seus direitos de vivência com qualidade.

Muitos outros exemplos podiam nomear-se mas, fiquemo-nos por aqui.

A ideia deste projecto de regadio era tão disparatada que, apesar de todas as pressões e inúmeros anúncios de eminente aprovação, acabou por ser anulada pelo IFAP (Instituto de Financiamento da Agricultura e Pescas) em Setembro de 2024, mantendo-se a ideia da construção da barragem do Barbaído para a concretização de um regadio mais amplo na zona.

Uff! Um alívio este cancelamento mas muito está ainda por fazer.

A 31 de Dezembro do ano passado, este Jornal publicou um artigo da autoria do Eng. Químico José Domingos Cardoso Moura que baseado no estudo da situação concreta desta Barragem nos informa acerca do nível calculado de eutrofização (A eutrofização é um processo onde corpos de água recebem um excesso de nutrientes vindos de esgotos e fertilizantes, causando um crescimento descontrolado de algas e plantas aquáticas que levam ao desequilíbrio do ecossistema aquático) causado fundamentalmente por erradas práticas agrícolas e inexistência de barreiras de protecção das fortes chuvadas que ocorrem no inverno ampliadas pelos incêndios de verão; escreve ainda acerca das causas de aparecimento sobretudo na primavera e verão de peixes mortos; do agravamento dos custos e das condições de funcionamento da Estação de Tratamento de Água , etc.

Alerta para a urgência de ser atacado urgentemente este estado de coisas, também para a premência do Plano de Ordenamento da Albufeira (POASAP) ser revisto (já com atraso de 10 anos sobre o que a Legislação determinava) e ainda que nova Barragem a ser construída terá de ser a jusante desta.

Sabemos que em 29 de Maio deste ano, por proposta da JF da Lardosa, se realizou em Alcains uma reunião em que estiveram presentes diversas autarquias da Zona, organismos públicos da área ambiental e uma associação cívica para análise de aspectos relacionados com queixas de cidadãos, poluição e acesso à barragem.

O dramático acidente ocorrido recentemente no elevador da Glória em Lisboa, é um alerta para as questões da prevenção. Caminhos públicos bloqueados como acontece na Barragem não são um indicador de segurança em caso de ocorrer algum inesperado acidente.

Aguarda-se o prosseguimento desta importante iniciativa do poder autárquico.

O POASAP previa um espaço de recreio e lazer para a zona. Provavelmente, na actualidade, não seria possível executar o que se pensava na altura devido a conhecimentos adquiridos a partir de situações concretas e ao agravamento climático.

No entanto, para usufruir do prazer da água tão importante na terrível época estival, em Castelo Branco para além das piscinas, poucos ou nenhuns locais existem.

Esta albufeira junto com o belo cenário que a cerca pode ser alternativa desde que se cumpram escrupulosamente todas as regras de segurança, fiscalização, controle da quantidade de utilizadores, enfim, que a abertura do espaço a um largo número de pessoas corrigindo a actual utilização sem quaisquer regras, traga um benefício e não um novo problema.

Tornar o local como agora se diz, um importante activo cultural, de bem estar e também económico. Um verdadeiro ponto de referência e de atracção da zona que amplifique o valor deste importante recurso.

E claro e sobretudo, fornecendo água pura para beber.

Sobre este assunto, que dizem os candidatos às próximas eleições autárquicas locais?

COMENTÁRIOS