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Saúde: A importância de se criar as urgências gerontológicas

Bruno Trindade - 26/02/2026 - 8:59

O envelhecimento da população é uma realidade cada vez mais evidente. Com o aumento da esperança média de vida, cresce também o número de pessoas idosas que recorrem aos serviços de urgência. No entanto, os modelos tradicionais de atendimento nem sempre estão preparados para responder às necessidades específicas desta faixa etária (tempo espera, respostas aos utentes acamados, apoio de transportes apos alta das urgências, maior acompanhamento do utente) tornando urgente a criação de urgências gerontológicas.

As pessoas idosas apresentam características clínicas próprias, como múltiplas doenças crónicas, uso simultâneo de vários medicamentos e sintomas que nem sempre se manifestam de forma típica. Situações como quedas, desidratação, confusão mental ou infeções podem ser subvalorizadas ou mal interpretadas num serviço de urgência geral, aumentando o risco de complicações, internamentos prolongados e perda de autonomia.

As urgências gerontológicas (75 +) surgem como uma resposta mais especializada e humanizada, tendo a responsabilidade de maior apoio médico e acompanhamento. Estes serviços de urgência permite uma maior respostas e diminuição da sobrecarga dos serviços gerais de urgência, este olhar integrado permitem decisões clínicas mais seguras e adequadas.

Além de beneficiar diretamente a pessoa idosa, a criação destas urgências contribui para a melhoria do sistema de saúde. Reduz a sobrelotação das urgências gerais, evita exames e internamentos desnecessários e promove a continuidade dos cuidados, articulando-se com a atenção primária, cuidados continuados e apoio social.

Investir em urgências gerontológicas é também uma questão de dignidade e justiça social. Cuidar bem de quem envelhece é reconhecer o seu valor e garantir que o aumento da longevidade venha acompanhado de qualidade de vida. Num contexto de envelhecimento acelerado, adaptar os serviços de saúde deixou de ser uma opção: é uma necessidade urgente.

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