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Senhora de Mércoles: É preciso recuar para poder avançar

Lídia Barata - 09/05/2019 - 8:00

VÍDEO Fiéis voltaram ao santuário, onde fazem e pagam promessas, renovando o seu “sim” à missão que Deus confia a cada um.

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Nem a ameaça de chuva afastou os fiéis

Em dia de feriado municipal, apesar de anunciada a chuva deu tréguas às largas centenas de fiéis que marcaram presença terça-feira, dia 7 de maio, no santuário de Nossa Senhora de Mércoles, durante a eucaristia e procissão onde a imagem da padroeira da cidade tem lugar central, acompanhada das imagens de Sant’Ana (Sua mãe), Santa Luzia, Santa Eufémia e São Judas Tadeu. Este é, sem dúvida, o dia grande para os albicastrenses, que, segundo reza a história, desde o século XIII passaram a venerar a Senhora de Mércoles como sua padroeira, lugar até ai ocupado por Nossa Senhora do Rosário, orago da igreja de Santa Maria do Castelo.

E à semelhança de Maria, quando visitou a sua prima Isabel, tal como recordou o evangelho deste dia, todos a proclamam “bem-aventurada”, porque “acreditou em tudo o que lhe foi dito da parte do Senhor”, alegria e predisposição que se traduz no Magnificat.

Na sua homilia, o padre José António Gonçalves, pároco in solidum que presidiu à cerimónia, sublinhou que neste dia sem imposição ou por força de decreto, “reunimo-nos para saudar Nossa Senhora, Nossa Mãe, Senhora de Mércoles, antes qual coração clama esta cidade inteira. E com ela dizemos o nosso sim ao Senhor”. Lembrou que “Mãe de Deus é o título mais importante de Nossa Senhora”, reiterando que desde que o Senhor encarnou em Maria traz a humanidade agarrada a ele. Já não há Deus sem homem”, tal como “o homem já não está sozinho, não mais será órfão, é para sempre filho”. Verdade consubstanciada na afirmação do Papa Francisco em Fátima, quando afirmou “temos Mãe”. Tanto assim é que “servir a vida humana é servir o próprio Deus, desde a vida no próprio ventre à velhice, à vida atribulada e doente, à vida incómoda e até a vida repugnante deve ser acolhida, amada e ajudada. E nesta missão Ela vai à nossa frente”.

E tal como Maria guardou todas as palavras em silêncio, meditando-as no seu coração e levando-as a Deus, “também nós, se nos quisermos guardar, precisamos de silêncio e olhar em silencio para Maria, deixando que Jesus fale ao nosso coração, deixando que a sua pequenez desmantele o nosso orgulho, as nossas sumptuosidades”, deixando ainda que “a sua ternura revolva o nosso coração insensível”. Além disso, “reservar em cada dia um tempo de silencio com Deus, é guardar a nossa alma, a nossa liberdade das banalidades corrosivas, do consumo, da publicidade, da difusão de tantas palavras vazias e de tantas ondas avassaladoras de maledicência e de balbúrdia”.

O padre José António frisou que são estes os segredos da Mãe de Deus, “guardar silêncio e levar a Deus. Isto realizava-se no seu coração, que convida a por os olhos no centro da pessoa, nos afetos, na vida”, tal como os cristãos sentem “a necessidade de recomeçar do centro, deixar para traz os pesos do passado e partir do que é importante”, conscientes que “para avançar é preciso recuar e recomeçar da simplicidade desta anunciação, desta visitação ou da humildade do presépio. Da mãe que tem nos seus braços este Deus ainda emudecido, mas que nos fala no silêncio”.

A devoção a Maria, reitera, “é por isso uma exigência da vida cristã, e nela somos encorajados a deixar bagatelas inúteis e a reencontrar aquilo que conta”. E assumindo este espírito de missão, “a partir deste santuário, irradiemos a mensagem de que Ele está vivo e vai à nossa frente”.

 

Veja o vídeo do Reconquista com a gravação integral da cerimónia

 

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