Jorge Serrazina é um praticante de ultradistâncias
“Não temos pressa de lá chegar. Uma das grandes vantagens das ultradistâncias é a interação com o meio, ir a sítios que de outra forma nunca lá iríamos”. Foi assim que Jorge Serrazina, de 60 anos, caracterizou a sua experiência, nas conferências que a Associação de Profissionais de Educação Física de Castelo Branco (Apefcb) regularmente promove.
Este aventureiro de Óbidos iniciou-se tarde nas corridas, aos 47 anos, mas muito a tempo de cumprir alguns dos mais exigentes desafios que se podem colocam aos praticantes de corrida.
Serrazina foi um dos pouco mais de setenta resistentes da Transpyrenea, a maior prova em distância alguma vez realizada, com 895 km, ligando o Mediterrâneo ao Atlântico através dos Pirinéus, com picos entre os 2500 e os 3000 metros de altitude. Dos 244 atletas que alinharam à partida cerca de 70 por cento desistiram.
Foram quinze dias a correr e caminhar. Mais de 366 horas: “usei quatro pares de sapatilhas e dois ficaram completamente destruídos”, disse em Castelo Branco. “Desde que comecei a praticar desporto passei a gastar dinheiro em sapatilhas e deixei de o fazer nas farmácias”, acrescentou, numa alusão direta aos benefícios da atividade física.
Fez também a Patagónia do lado da Argentina “em autonomia total e sem abastecimentos intermédios”, durante 160 km. Nunca sentiu o corpo nos limites. “Adoro andar sozinho no desconhecido, principalmente durante a noite”. Reconhece que corre riscos, mas é feliz.
De limites se falou na noite de sexta-feira, no edifício da lagoa, no Parque Urbano de Castelo Branco. “Treinando, melhorámos. Ponto assente e não se discute. Mas temos os nossos limites, que são individuais. A experiência vai-nos transmitindo indicadores. O corpo dá os sinais e a pessoa tem de os saber interpretar”, realçou Rui Paulo, diretor do curso de Desporto e Atividade Física da Escola Superior de Educação.
Esta conferência de partilha de conhecimento contou ainda com o fisioterapeuta José Pedro Cardoso. Entre a prevenção e o tratamento de lesões em desportos de resistência, aquele profissional da área da saúde defendeu que “em Castelo Branco não há assim tantos fisioterapeutas para as necessidades da comunidade desportiva”.