Missionários vão ficar instalados na paróquia albicastrense. Foto arquivo Reconquista
A menos de um mês de se instalarem formalmente em Castelo Branco, os missionários da Congregação da Missão, de São Vicente de Paulo, andam pelo terreno a preparar a sua vinda. Dois anos depois da partida dos Redentoristas, que estiveram 72 anos na paróquia albicastrense de Nossa Senhora de Fátima, chega uma nova congregação, para quem a região não é de todo estranha. Os padres vicentinos estiveram até 2013 na Diocese de Portalegre-Castelo Branco, onde regressam agora com uma nova tarefa em mãos.
“Houve sempre um desejo, quase que mútuo, do nosso regresso, porque é natural. Fechar uma comunidade não é simpático para ninguém”, disse ao Reconquista o padre Pedro Guimarães, superior da Província Portuguesa da Congregação da Missão. Foi com o bispo D. Pedro Fernandes, que assumiu os destinos da diocese em novembro de 2025, que se iniciou o diálogo para a instalação na cidade e segundo o superior provincial foi ele que sugeriu a localização em Castelo Branco.
“Discernindo enquanto instituição que somos sentimos que havia condições para abraçarmos um novo projeto, ou seja, abrirmos uma nova comunidade. Reunidas as condições também humanas e até estruturais, levou-nos assim a arriscar”, afirmou o superior provincial.
A equipa pastoral é constituída por três pessoas. O padre Suresh Praban Siluvayya é um missionário vicentino oriundo da India que também passou por Angola. O padre António Manuel Martins vem da paróquia de Paranhos, no Porto, “sendo alguém conhecedor da realidade e a quem lhe vai ser também pedido missões para além da missão paroquial”. Fica completa com o diácono moçambicano Vilarino Calisto, que está com a congregação há cinco anos e a poucos meses de ser ordenado.
“Esperamos que no final de setembro já possam ir chegando, se possam também instalar e depois, naturalmente, seguindo os passos informais, conseguirmos chegar à formalidade, que é a abertura formal da presença e o início também formal da nossa missão para aí” espera Pedro Guimarães, desejando que a congregação possa contribuir para cuidar dos fiéis, mas também dos sacerdotes que aqui despenham a sua missão.
“Olhar para país mais interior, olhar para a dimensão também mais humana do envelhecimento, havendo condições, mesmo interculturais, acho que é a melhor forma também de sermos Igreja e realizarmos a nossa missão”, assume.
O regresso de uma congregação aos “fradinhos”, no coração de Castelo Branco, terá um impacto que ultrapassa a cidade e isso será assinalado também de forma simbólica. A entrada oficial, com a presença do bispo diocesano, acontecerá em Sarzedas, paróquia onde estes missionários vão trabalhar, chegando também a Santo André das Tojeiras. Na congregação “sentimos que tínhamos condições também para realizar essa missão urbana e rural e fomos sensíveis às necessidades pastorais da própria diocese”, diz o padre Pedro Guimarães.
A Congregação da Missão nasceu em França no século XVII, fundada por São Vicente da Paulo. “A vida comunitária para nós é sempre um ponto de partida para realizar a missão e essa missão, na sua identidade assim mais profunda, ela realiza-se na formação de batizados, leigos e sacerdotes”, caracteriza o superior provincial. Seguem ainda um trabalho de caridade “muito sensíveis e atentos ao mais frágil, ao mais pobre”.