Só quem passa por elas é que sabe. A experiência molda, não apenas o carácter, mas a própria vida. Sofrem imenso e, na maior parte dos casos, é a família toda que fica doente e com marcas, para sempre.
Graças a Deus que há imensos exemplos de sucesso e de recuperação plena. Em todos os casos a esperança é a última coisa a morrer. Falo dos doentes oncológicos que são obrigados a autênticas vias-sacras pelo país, de ida e volta às cidades do litoral onde efetuam tratamentos e fazem exames. São anos e anos de um autêntico calvário.
Decorre neste momento uma petição pública na Assembleia da República para a criação de um Centro Oncológico de Proximidade nesta região do país, nomeadamente nos distritos de Castelo Branco e da Guarda. Seria uma unidade de saúde descentralizada que permitiria aos doentes realizarem consultas, exames de vigilância e tratamentos (como quimioterapia em hospital de dia, por exemplo) perto do seu local de residência, evitando o desgaste a que estão sujeitos.
Não só seria útil, como faz todo o sentido. Porque este é um daqueles problemas que devia fazer o país olhar para estas pessoas e estas famílias com outros olhos. Os doentes de cancro do interior não deviam pagar a fatura desta situação, são também eles cidadãos de pleno direito neste país tão desequilibrado.
Se a petição conseguisse chegar às 7500 assinaturas, a mesma seria obrigatoriamente apreciada no plenário do Parlamento. Está nas nossas mãos que assim seja. Embora, como a promotora reconheça (ver página 6 desta edição) “sinto que as pessoas querem aderir, mas o site não é muito intuitivo, não abre facilmente e pede muitos dados pessoais, o que leva as pessoas a desistirem de assinar”.
É tipicamente português, cria-se um mecanismo para a participação pública, mas a engrenagem é tão complicada que obstaculiza essa participação. Cada um que conclua o que quiser…