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Telma Monteiro: “As pessoas não imaginam o trabalho que dá ser uma das melhores"

Artur Jorge, outubro de 2012 - 08/08/2016 - 22:56

Telma Monteiro conquistou a medalha de bronze dos Jogos do Rio. O Reconquista recorda uma das últimas passagens da atleta pela cidade de Castelo Branco. 

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Telma Monteiro conquistou a segunda medalha olímpica do judo português, depois de Nuno Delgado em 2000. Foto COP

No dia em que a judoca Telma Monteiro conquistou a medalha de bronze dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, o Reconquista recorda a reportagem de uma das últimas passagens da atleta pela cidade de Castelo Branco. O convite foi feito pela extinta Facab e ao seu lado esteve Leonel Duarte, que acabaria por falecer em 2013. O  trabalho foi publicado em outubro de 2012.

 

 “As pessoas não imaginam o trabalho que dá ser uma das melhores do Mundo"

Esta afirmação da olímpica Telma Monteiro, na palestra do final da última semana levada a cabo pelo departamento de desporto da Federação Académica do Politécnico de Castelo Branco (Facab), expressa a essência da "lição" que dois desportistas de eleição, cada um em sua época, trouxeram aos estudantes do ensino superior.

A penta campeã europeia de judo, de 26 anos, usou um discurso pragmático para elucidar a plateia de que o desporto praticado ao alto nível, mais do que estar ao alcance dos predestinados, alberga sobretudo aqueles que perseguem os limites.

E quem define desideratos elevados tem de conseguir conviver com o sacrifício, a pressão e o desgaste: "a competição não dá saúde", afirmou a internacional portuguesa.

Ela que se assume como "uma competidora nata".

Ao lado de Telma Monteiro esteve Leonel Duarte, antigo atleta de luta greco-romana que participou nas olimpíadas do México'68, Munique'72 e Montreal'76.

Natural de Escalos de Baixo, o lutador que ganhou tudo o que havia para ganhar em Portugal e foi campeão ibérico (1981), trocou as solicitações da juventude pela carreira desportiva: "tive de abdicar de tudo aquilo que um jovem não gosta de abdicar", confessou.

Treinava às 6H30 antes do trabalho e ao fim da tarde. Não obstante as exigências da alta competição, destaca: "o desporto ajudou a construir-me como homem".

Leonel estava na aldeia olímpica no massacre de Munique, perpetrado por um grupo terrorista palestiniano (Setembro Negro) que sequestrou e matou onze atletas israelitas, no episódio mais triste de toda a história de Jogos Olímpicos.

"Uma desgraça que jamais se apaga da memória", considerou.

Das palavras de Telma Monteiro emerge uma enorme competitividade.

A menina bonita do judo português não esconde ainda sequelas da última participação olímpica, mas são os desafios que a estimulam. É neles que encontra a força para a superação. É assim desde que em cadetes a dispensaram de um estágio da seleção. Um ano depois era campeã nacional júnior e encetava o seu percurso internacional.

Estreou-se com 18 anos nas olimpíadas de Atenas'04 e hoje é das melhores do Mundo.

"Infelizmente em Portugal só valorizam as medalhas", lamenta Telma, três vezes vice-campeã mundial.

Esta finalista do curso de treino desportivo reconhece que as condições que o nosso país dispensa aos atletas de alta competição "melhoraram bastante", mas ainda estão distantes daquelas que beneficiam franceses, alemães ou chineses, por exemplo: "Só o Centro de Estágio da China deve ser maior que a cidade de Castelo Branco", verbalizou.

Outro assunto que irrita a judoca é quando ouve jovens "dizerem que querem ser como a Telma e não trabalham nada".

A aula de Telma não se esgotou sem uma farpa a um ‘método' muito enraizado na cultura portuguesa: "privam os miúdos de ir ao desporto como castigo, mas ficam em casa agarrados ao computador. Nunca percebi essa teoria e também nunca me explicaram".

ESE. A palestra "olímpicos, testemunhos do passado e do presente" decorreu no auditório da Escola Superior Educação de Castelo Branco. João Serrano, coordenador do curso de desporto, saudou a aposta da instituição em Ana Hormigo para o corpo docente: "uma porta-estandarte que engrandece este curso. Um curso que já tem cunho forte em Castelo Branco e no país".

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