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O estudo como um trabalho?

Mário Freire - 05/04/2018 - 9:00

Na encíclica Gaudium et Spes, da responsabilidade do Papa Paulo VI, sobre a Igreja no Mundo Actual, diz-se que “a participação se exprime, essencialmente, numa série de actividades mediante as quais o cidadão, como indivíduo ou associado com outros, directamente ou por meio de representantes, contribui para a vida cultural, económica, política e social da comunidade civil a que pertence.” Ora, esta participação, tendo sempre em vista o bem comum, a melhoria da comunidade em que vivemos ou em que intervimos, traduz-se pelo trabalho, seja ele remunerado ou não.
Parece decorrer daqui que, havendo condições físicas e psicológicas para tal, este trabalho deveria fazer-se tanto antes da entrada no mundo profissional, enquanto se estuda, como depois, na aposentação.
Considerando apenas os casos das crianças e dos adolescentes, em que medida poderão eles exercer a sua participação, fazer o seu trabalho, tendo em vista a tal melhoria da comunidade? Independentemente de eles poderem pertencer a grupos que, pela sua natureza, têm objectivos de natureza cívica e social (por exemplo, o escutismo), há neste campo um papel reservado aos pais que, julgo, interessa ressaltar. E esse papel é o de fazer ver aos filhos que, para além de estarem a servir a comunidade doméstica quando, por exemplo, ajudam em tarefas da casa, eles, igualmente, quando estudam estão a fazer um trabalho de grande dignidade e que por todos deve ser respeitado. Estudo significa esforço, disciplina, conhecimento, observação, análise, planeamento…, enfim, um sem número de actos que proporcionam ao estudante a aquisição de diferentes capacidades que o habilitam a intervir, a vários níveis, no progresso da sociedade.
Já em 1962, Lauro de Oliveira Lima, grande pedagogo brasileiro, dirigindo-se aos estudantes, dizia: “quando iniciares o estudo, avisa todos em casa: ‘vou estudar!’ ou melhor: ‘vou trabalhar!’ Convence os teus familiares de que estudar é um trabalho pesado.”
Segundo esta perspectiva, compete aos pais incutir nos filhos o valor do estudo e de que este, sendo bem feito, é um trabalho que os prepara para uma vida em que sejam construtores de uma sociedade melhor. Tal perspectiva acarreta aos pais o esforço de proporcionarem aos filhos o melhor ambiente possível, num local adequado, livre de televisões e de telemóveis, para a realização de tal tarefa. 

COMENTÁRIOS

NELSON MARQUES DE OLIVEIRA JUNIOR
Na semana passada
Prezados amigos, mantemos um blog sobre a obra do Professor Lauro de Oliveira Lima e chegamos até essa publicação através de um clipping ativo. Gostaríamos de solitar sua autorização para reproduzirmos essa matéria, com os créditos devidos, no blogo www.laurodeoliveiralima.blogspot.com . Aguardamos sua autorização e parabenizamos a publicação e a matéria.
Reconquista
Na semana passada
Caro Nelson. Se fizer referência ao autor e ao jornal não há qualquer problema. Cumprimentos